Saída pela Direita
Humor, tecnologia, e o mundo visto pela direita. Um blog definitivamente politicamente incorreto.
Sexta-feira
Feminismo
Terça-feira
Antes de mais nada, sejamos bons filhos
A voz do bom senso, vinda de La cigüeña de la torre:
A maioria dos atos de um Papa não são magisteriais. Aonde vai, quem recebe ou cumprimenta, quem nomeia, o que ele come ou bebe, que mitra usa, quantos cardeais nomeia, de que nacionalidade...
Ele pode acertar ou não. E até cabe discordar de qualquer desses atos. Parece que Bento XVI, como bom alemão, gosta de beber uma cerveja de vez em quando. É evidente que os católicos não ficam obrigados a serem amantes da cerveja. Isso, que é trivial, vale também para outros atos mais transcendentes.
Sua viagem a Cuba não agradou a todos os grupos no exílio. Que pensavam que o regime ditatorial de Castro sairia fortalecido. Outros queriam que ele recebesse os dissidentes da ilha ou as vítimas de Marcial Maciel no México. Havia quem exigisse uma condenação pública da ditadura cubana na viagem. E os exemplos podem ser multiplicados. Martini deve ser advertido? Bertone mantido como Secretário de Estado? Lombardi como porta-voz? Viganó como núncio? Nourrichard como Bispo de Evreux? Nicolás como Prepósito Geral da Companhia de Jesus?
Seria uma lista interminável. Todos, inclusive eu, governaríamos a Igreja muito melhor do que o Papa. E não só melhor do que este Papa mas do que todos os papas.
Mas isso não seria a Igreja e sim um balaio de gatos. O Papa pode se equivocar em muitas coisas. Ou em algumas. Mas nele reside o ministério petrino e não em qualquer católico. Seja da tendência que for. Cabe também pensar que toma decisões com mais conhecimento de causa do que imaginamos. Não porque seja mais inteligente do que qualquer um de nós, mas porque tem muitas mais fontes de informação. E busca o bem da Igreja universal por cima da nossa tacanha visão paroquial.
É óbvio que o Papa quer liberdade para os cubanos e para a Igreja em Cuba. E pensou, o que considero acertado, ainda que alguns exilados pensem de forma diferente, que sua viagem favorecia essa liberdade. E o fez como pôde e como deixaram que fizesse. Não recebeu os dissidentes, mas repetidamente pediu uma maior liberdade e até mencionou os prisioneiros. Não condenou o castrismo mas se disse várias vezes a favor da abertura, da reconciliação e de um amanhã mais livre. Que alguns desejariam uma maior contundência? Muito provavelmente teria significado um amanhã pior para os cubanos da ilha e para a Igreja.
E isto, tão local e tão concreto, vale para tudo. Não significa que você não pode pensar, e expressar, que uma nomeação episcopal foi uma desgraça, que um cardeal já deveria ter sido aposentado ou que seria necessária uma maior firmeza com a Igreja austríaca. Com respeito, considerando também que o Papa talvez pense o mesmo e esteja aguardando o momento certo, considerando todos os prós e contras, e, acima de tudo, do ponto de vista do amor.
Os católicos têm que amar o vigário de Cristo. Embora às vezes achemos que ele se equivocou ou fizeram com que se equivocasse. Vendo as multidões que no México e em Cuba expressavam seu afeto e seu entusiasmo, me pareciam muito mais Igreja do que aquele que constantemente cita a reunião de Assis para convencer-nos de como é ruim esse Papa. E isso dito por quem acredita que o primeiro Assis foi uma infelicidade. Quanto ao segundo não tenho nada a objetar.
Cristãos mornos serão vomitados
A maioria dos cristãos, ao menos em algum período de sua vida, se conforma em viver uma fé medíocre, mesquinha, que pouco colabora para testemunhar a glória de Cristo ao mundo. Tocam suas vidinhas preocupados somente com seus umbiguinhos, com seus estudinhos, com o seu amorzinho, com o seu trabalhinho, com os seus parentinhos, e permanecem surdos ao grito dos que sofrem.Esse tipo de fiel pode até ser um católico devoto e praticante, mas que, no fundo, está sempre buscando a felicidade por meio de conquistas materiais, enquanto que a fé e a caridade ficam em segundo plano. Uma vez ao ano – e olhe lá – participa de alguma ação solidária, tipo “Natal sem Fome”, sente que já fez a sua parte e fica muito satisfeito com isso.
Por isso, sempre que alguém se candidatava a ser Seu discípulo, em vez de reagir com palavras doces e animadoras, Jesus colocava o sujeito na pressão. Era uma forma de espantar os bunda-moles, afinal, ser cristão é pauleira. Vejam este trecho do Evangelho de Lucas:
Enquanto caminhavam, um homem lhe disse: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que vás. Jesus replicou-lhe: As raposas têm covas e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.
A outro disse: Segue-me. Mas ele pediu: Senhor, permite-me ir primeiro enterrar meu pai. Mas Jesus disse-lhe: Deixa que os mortos enterrem seus mortos; tu, porém, vai e anuncia o Reino de Deus.
Um outro ainda lhe falou: Senhor, seguir-te-ei, mas permite primeiro que me despeça dos que estão em casa. Mas Jesus disse-lhe: Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus. (Lc 9, 57-62)
Simpático o Mestre, não? Dá pra notar que Seu “esquema” de recrutamento priorizava a qualidade, e não a quantidade. Ele não fazia como muitos padres e catequistas por aí, que só contam histórias bonitinhas e meias verdades para não contrariar nem constranger ninguém (santa covardia, Batman!). Jesus não temia a liberdade humana: “Eu sou o Senhor. Prometo te dar uma vida cem vezes mais plena do que a que você tem hoje, cheia de beleza e de sentido. Mas, ó, tu vai penar um bocado, vão pegar no teu pé por causa de Mim. Vai querer ou não vai? Se não gostou, a porta da rua é a serventia da casa!”.

O Cristo não dava colher de chá nem para aqueles que o seguiam desde o início. Falava umas coisas esquisitas de propósito, para chocar mesmo. Se o cara continuasse ao lado dEle mesmo depois de ouvir aquelas coisas, era porque O amava de verdade. Foi assim quando Ele disse que só entraria no Céu quem comesse Sua carne e bebesse o Seu sangue. A multidão, que antes O seguia com entusiasmo, gritou “ECA!!!” e saiu correndo. Quanto aos poucos discípulos que restaram, Ele os colocou contra a parede:
“Vós também vos quereis ir embora?”.
Simão Pedro respondeu: “Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.”. (João 6, 67-68)
Esse é o nosso Mestre, no melhor estilo Capitão Nascimento: “Só terá a vida eterna quem comer minha carne e beber o meu sangue. Tá com nojinho? Pede pra sair!”. Quanta diferença em relação aos evangelizadores mamão-com-açúcar de hoje…
Por falar em nojinho, de arrepiar mesmo é a passagem do Apocalipse que ordena que os cristãos a saiam de vez da mediocridade, enquanto é tempo:
Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. (…) Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te.
Pois dizes: Sou rico, faço bons negócios, de nada necessito – e não sabes que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que compres de mim ouro provado ao fogo, para ficares rico; roupas alvas para te vestires, a fim de que não apareça a vergonha de tua nudez; e um colírio para ungir os olhos, de modo que possas ver claro.
Eu repreendo e castigo aqueles que amo. Reanima, pois, o teu zelo e arrepende-te. (Apo 3, 13-22)
Para quem quiser refletir melhor sobre o tema, vale a pena comprar um bom livro sobre a vida de São Vicente de Paulo. Ele, que se tornou padre antes dos 20 anos, só pensava em ter uma boa vida e arrumar um dimdim para ajudar a sua família. De fato, não era um cara mau, era até gente boa, mas estava longe de ser santo. Depois de muito se lascar (“castigo aqueles que amo”), se deu conta de que ser sacerdote era muito mais do que fazer um sermão aqui e acolá e correr atrás de conforto e prestígio: era tornar presente o amor de Cristo aos pobres e sofredores. E, assim, ele passou de padre bunda-mole e caçador de benefícios a um dos maiores santos que o mundo já viu.Que São Vicente de Paulo nos ajude a ter um coração granPublicar postagemde, fiel e indomável como o dele!
Via: O Catequista
Segunda-feira
O Rainbow Warrior e os novos olhos do império
(Este artigo nasceu de um debate sobre este outro aqui ).
O Rainbow Warrior, famoso navio do Greenpeace, agora em águas brasileiras
De fato, nada na presença do navio Rainbow Warrior em terras brasileiras – ou no discurso ecológico europeu que a sustenta - é realmente novo sob o sol. Sua origem, contudo, não está nas conquistas europeias do século XVI e XVII, mas num movimento um pouco mais tardio.
Notem que não se trata, aqui, de um exercício de nacionalismo exacerbado. É muito mais uma questão de conhecer a origem das coisas para não se cair em cantos de sereias que são mais velhos que a própria crença em sereias.
O que hoje é ecologia, ontem foi ciência aparentemente – e apenas aparentemente - desprovida de qualquer interesse financeiro. O que hoje nos é apresentado como preocupação desinteressada pela preservação do planeta, ontem se apresentava como deslumbramento puro pelo nascimento de uma ciência universal.
Desde o início do século XVIII, ao sabor de um discurso cientifico, África e América se tornaram alvos de um novo tipo de investida europeia, que pretendia descobrir novas fontes de matéria prima para a emergente demanda industrial.
Em uma das melhores obras que conheço sobre o tema, “Os olhos do Império: viagens de transculturação”, Mary Louise Pratt dá nome a este novo impulso ideológico, de caráter científico, que legitimou ação europeia dos séculos XVIII e XIX sobre zonas coloniais: “anti-conquista”.
Este novo discurso se contrapôs ao antigo sistema absolutista de conquista e libertou o imaginário europeu do caráter predatório e violento dos primeiros conquistadores para conferir às novas expedições um aspecto de inocente interesse científico.
Para Pratt, dois acontecimentos, ambos ocorridos em 1735, exerceram especial influência nesta ruptura cultural: a expedição La Condamine - primeira expedição científica à América hispânica, que pretendia definir o formato da Terra - e a publicação de O Sistema da Natureza, do naturalista Carl Linné.
Embora tenha fracassado em seu objetivo principal – seus integrantes permaneceram perdidos ao longo de uma década na selva americana - La Condamine resultou em uma série de relatos que popularizaram um novo personagem no cenário da colonização europeia: o cientista. Já a Linné, cujo sistema permitiu classificar todas as plantas existentes no planeta, coube o papel de transformar as zonas coloniais em espaços de trabalho científico.
Muito rapidamente, o sistema de Linné foi transposto para as demais áreas da ciência e, no embalo de novas expedições, financiadas por recém-nascidas sociedades científicas, a Europa ingressou numa febre de catalogação – que começa com proliferação das coleções particulares e culmina nos museus de História Natural.
Nos bastidores, porém, explica Mary Louise Pratt, o que de fato acontecia era uma associação entre interesses comerciais e científicos: estudantes de Linné eram patrocinados por companhias de comércio ultramarino e membros de expedições promovidas por sociedades científicas europeias eram orientados, secretamente, a observarem fontes de matéria-prima e oportunidades comerciais.
Então, uma nobreza de intenções camuflava o fato de que espécimes de flora e fauna, segredos de geografia e dados geológicos importantes eram catalogados para futura exploração mercantil. Da mesma forma que, hoje, o discurso ecológico abre as portas de nossa biosfera para toda sorte de ONGs sem que suas reais intenções sejam realmente conhecidas.
Se não houve “almoço grátis” para os estudantes de Linné, é preciso ser inocente ao extremo para acreditar que o há, agora, para os integrantes de organizações que dizem estar aqui para defender aquilo que não lhes pertence. Não enxergar este ambientalismo europeu que nos quer tutelar como o que ele, de fato, é – uma versão pós-moderna do neocolonialismo - significa colocar-se na posição da vítima que se deixa vitimizar repetidamente. É incorporar a insanidade como Einstein a descreveu: repetir determinada atitude na expectativa de que o resultado seja diferente.
Ter em mente que, para além do amor ao planeta, interesses menos nobres podem financiar tais ações é uma obrigação nacional que, com raras exceções, não é levada a sério por qualquer instância de poder: governo, justiça e imprensa vêm engolindo o discurso do “bom ecologista” tal qual europeus e americanos dos séculos XVIII e XIX haviam engolido o discurso do “bom cientista”.
A ausência de qualquer resistência a esta pauta ecológica - e sua consequente força hegemônica junto à opinião pública nacional – ajudam a entender o fenômeno Marina Silva. Mesmo sem qualquer proposta concreta para pontos prioritários da agenda eleitoral – saúde e segurança – Marina Silva conquistou 20 milhões de votos na última corrida presidencial carregando, tão somente, o discurso da preservação de recursos naturais. Nem mesmo uma denúncia de extração ilegal de mogno a avizinhar-se de seu círculo familiar foi capaz de abalar a imagem de protetora da natureza. O fato é que, temerosos de macular tal imagem, quase beatificada, erigida com o apoio do ambientalismo europeu, imprensa e adversários evitaram erguer o véu para revelar os interesses internacionais sob o mito.
Finalmente, retornamos à Mary Louise Pratt para observar que a retórica derivada das explorações científicas dos séculos XVIII e XIX, era, sobretudo, “um discurso urbano sobre mundos não urbanos, um discurso burguês e letrado sobre mundos não letrados e rurais”, que acabava qualificando qualquer formação social que fugisse aos moldes europeus – em especial, àquelas preocupadas, prioritariamente, com sua subsistência - como atrasada, infantil e incapaz de gerir seus próprios recursos. O que, em tese última, legitimava uma intervenção europeia.
Qualquer semelhança com o discurso ecológico que o chamado mundo desenvolvido, suas ONGs e seus representantes nacionais hoje nos impõem, portanto, não é mera coincidência – e muito menos novo. O que o Rainbow Warrior e o Greenpace nos dizem, tal qual nos diziam os relatos científicos de outrora, é que somos incapazes de cuidar dos nossos próprios recursos. Mensagem, aliás, replicada por todas as organizações internacionais que querem interferir sobre o modo como desmatamos, plantamos ou usamos nossos recursos hídricos.
Via: Nariz Gelado
Marcadores:
Ambientalismo,
ONGS
Quarta-feira
Um católico a seu modo.
Trechos da entrevista concedida ontem por Gabriel Chalita, pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, ao portal Terra (em vídeo aqui):
Dois dias antes da entrevista em que defende a união civil entre homossexuais, Chalita faz uma das leituras na Missa da Paróquia São José, no bairro do Belém, em São Paulo.
Sobre o aborto e a polêmica a este respeito na corrida presidencial de 2010:
“Eu acho que foi muito feio o que aconteceu na eleição presidencial. Eu não tenho problema em responder questão de nenhuma ordem. Mas o que aconteceu na eleição presidencial [...] de repente teve um reducionismo na eleição presidencial de uma discussão religisoa que nasceu de boataria de internet.”
“Eu sou um candidato, eu sou uma pessoa religiosa, nunca escondi isso de ninguém, eu frequento a Igreja, sou católico, tive num evento nos evangélicos nessa semana, e uma evangélica falou assim: nossa, você tem a cara dos evangélicos.”
“Eu sou contra o aborto, porque eu acho que você vai diretamente contra a vida. Eu não mudei, eu continuei defendendo isso, mas a presidenta Dilma disse o seguinte: ‘no meu governo não terá aborto’. E não tem. Ah, agora ela colocou uma ministra que é favorável ao aborto; sim, mas uma pessoa no governo ser favorável ao aborto não significa que o governo vai nessa linha, nessa direção. Eu não tive nenhuma mudança de percurso nessa minha trajetória política, o que houve foi essa quantidade de boatos que tentou colar nela a imagem de uma pessoa que era contra a vida.”
O Fratres in Unum gostaria de refrescar a memória do pré-candidato Chalita:
Sobre a união civil entre homossexuais:
“Maria, acho que esse é um tema fundamental. Eu fico muito à vontade para falar sobre isso porque em todos os meus livros, aí vem a questão do afeto ou os livros sobre a ética, livros que foram traduzidos. Eu tenho uma visão que eu acredito profundamente que a dignidade da pessoa humana, o respeito ao ser humano devem nortear todas as ações na área pública e na área privada. Então, é inadimissível que uma sociedade não consiga conviver com uma pessoa que seja diferente. Qualquer tipo de preconceito, qualquer tipo de intolerância deve ser perseguido, devem ser banido da área pública. Eu tenho o maior respeito pelas pessoas que tenham uma orientação sexual diferente. Acho que o Supremo já decidiu a esse respeito, dando o direito da união civil de pessoas do mesmo sexo.
- O senhor é favorável a isso?”
“Sou favorável a isso. Acho que isso já está decidido, discutido. Agora a questão do casamento religioso em igrejas, nem me parece que isso seja alguma coisa que essa comunidade queira, que os homossexuais queiram. Aí tem que respeitar a Igreja”.
* * *
Aproveitamos a oportunidade para recordar alguns princípios que deveriam ser seguidos por todos os católicos — o que incluiria o senhor Chalita, apesar de ser a cara dos “evangélicos” — e enunciados pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, atualmente Bento XVI:
“Onde o Estado assume uma política de tolerância de facto, sem implicar a existência de uma lei que explicitamente conceda um reconhecimento legal de tais formas de vida, há que discernir bem os diversos aspectos do problema. É imperativo da consciência moral dar, em todas as ocasiões, testemunho da verdade moral integral, contra a qual se opõem tanto a aprovação das relações homossexuais como a injusta discriminação para com as pessoas homossexuais. São úteis, portanto, intervenções discretas e prudentes, cujo conteúdo poderia ser, por exemplo, o seguinte: desmascarar o uso instrumental ou ideológico que se possa fazer de dita tolerância; afirmar com clareza o carácter imoral desse tipo de união; advertir o Estado para a necessidade de conter o fenómeno dentro de limites que não ponham em perigo o tecido da moral pública e que, sobretudo, não exponham as jovens gerações a uma visão errada da sexualidade e do matrimónio, que os privaria das defesas necessárias e, ao mesmo tempo,contribuiria para difundir o próprio fenómeno. Àqueles que, em nome dessa tolerância, entendessem chegar à legitimação de específicos direitos para as pessoas homossexuais conviventes, há que lembrar que a tolerância do mal é muito diferente da aprovação ou legalização do mal.
Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimónio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo. Há que abster-se de qualquer forma de cooperação formal na promulgação ou aplicação de leis tão gravemente injustas e, na medida do possível, abster-se também da cooperação material no plano da aplicação. Nesta matéria, cada qual pode reivindicar o direito à objecção de consciência.
do Fratres in Unum.com
Terça-feira
A Janela de Overton – Ou: Como fazer a opinião pública se deslocar de um ponto para outro ignorando o mérito das questões
Por Reinaldo Azevedo
O que esta imagem faz aí no alto? Explico.
Se vocês entrarem na Internet para pesquisar o que é “Janela de Overton”, encontrarão duas referências principais: uma delas diz respeito a um conceito de manipulação — ou, se quiserem, de “operação” — da opinião pública segundo conceitos elaborados por Joseph P. Overton, ex-vice-presidente de um think tank chamado Mackinac Center for Public Policy. Outra, relacionada com a primeira, é um romance policial de Glenn Beck, o demonizado (pelas esquerdas) âncora da Fox News, que usou o conceito para imaginar uma grande conspiração contra os EUA. Mas o que é “Janela de Overton”?
A coisa tem sido explicada por aí de modo capenga. Peguemos justamente o caso do aborto no Brasil. A maioria dos brasileiros é contra, e isso obrigou, inclusive, a presidente Dilma a contar uma inverdade na campanha eleitoral sobre a sua real opinião, que ela já havia expressado. Era favorável à legalização — chegou a empregar essa palavra — e teve de recuar.
Muito bem: a Janela de Overton registra como pensa a maioria da sociedade num dado momento sobre um determinado assunto. As posições, claro, variam do absolutamente contra ao absolutamente a favor. O pensamento da janela é o máximo que um político, a depender de sua ambição, pode sustentar publicamente. É evidente que um militante do aborto pode ser eleito deputado por eleitores abortistas — mas teria problemas para se eleger presidente da República ou senador.
Muito bem! É possível deslocar a janela para um lado ou para outro? É! Isso demanda trabalho de pessoas especializadas em manipulação da opinião pública. Notem: quando emprego a palavra “manipulação”, não estou querendo dizer “conspiração”. Empresas organizadas passam a atuar na sociedade para lhe oferecer valores que levem ao pretendido deslocamento.
Continuemos com o aborto. Mesmo quando era favorável, Dilma dizia que nenhuma mulher pode gostar da coisa em si, que é um sofrimento. O mesmo afirma sua agora ministra Eleonora Menicucci. Há dias, o impressionante Fernando Haddad afirmou que, “como homem”, é contra — nota: creio que tentou dizer que, como político, nem tanto, sei lá… Repararam que, nessas intervenções, deixa-se de discutir o aborto para debater um outro tema? Que outro? A proposta da tal comissão o evidencia: “as condições da mulher”.
O que isso significa? Para tentar deslocar a janela de opinião do “contra” para o “menos contra”, até chegar à “neutralidade” e, quem sabe?, um dia, ao “a favor”, é preciso trabalhar algum outro valor relacionado ao tema. Para esse trabalho, entra em campo um verdadeiro exército de “especialistas em opinião pública”: assessores de imprensa, relações públicas, institutos de pesquisa, think tanks, agências de lobby. E vai por aí.
Peguemos a questão do Código Florestal, outro exemplo gritante. É evidente que a maioria da população se oporia a que famílias fossem desalojadas ou a uma queda na produção de alimentos. Se a maioria é contra, dificilmente um político com ambições nacionais abraçará essa causa. Mas por que não outra? A da “conservação da natureza” certamente é simpática e tem condições de operar o deslocamento da janela. É o que tem conseguido Marina Silva, que conta com assessoria de imagem profissional. É o que têm conseguido ONGs americanas financiadas pelo setor agrícola dos EUA. Criminalizam os agricultores brasileiros, transformando-os em sinônimo de desmatadores. O caso mais bem-sucedido de que se tem notícia nessa área é o terrorismo feito com o tal aquecimento global. O que pode ser maior do que “salvar o planeta”?
Verdades e mentirasGoverno e políticos gastam fortunas tentando vender “idéias” à opinião pública. Quase não há pessoa pública no Brasil que não seja cliente de uma empresa — ou de várias — de assessoria e gerenciamento de imagem. O que se pretende é bem mais do que informar a sua “agenda”. O trabalho é mais amplo: trata-se de detectar um determinado sentimento da sociedade e passar a trabalhar para mudá-lo — eventualmente neutralizá-lo. Querem ver?
O tucano José Serra, pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, não tocou até agora em palavras como “aborto” e “kit gay”. No PT, já se manifestaram sobre o assunto o pré-candidato do partido, Fernando Haddad; o presidente da legenda, Rui Falcão; o “chefe de quadrilha” (segundo a PGR) José Dirceu, entre outros. O tema passou a ser tratado pelos próprios petistas, COM A AJUDA DE SETORES DA IMPRENSA, sugerindo que o “outro lado” vai explorar esses temas em campanha e que isso, na verdade, é “uma baixaria”. O trabalho é tão bem-feito que foram buscar declarações contrárias àquela que seria à abordagem não-virtuosa dessas questões até de tucanos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Vale dizer: meteram FHC na campanha pró-PT!
Ora, por que isso? Porque o PT tem pesquisas em mãos que demonstram que esses temas são potenciais fontes de desgaste do candidato petista. Então é preciso aplicar uma espécie de vacina, de remédio preventivo. Antes que o adversário se refira a esses assuntos, Haddad já sai gritando: “Isso é uma baixaria!”.
Nesse caso, o trabalho de manipulação da opinião pública consiste, numa ponta, em transformar o aborto numa decorrência natural dos “direitos da mulher”, desfetalizando o debate. O feto passa a ser uma mera derivação do seu corpo; se a incomoda e se ela não quer, tira-se. Também se vai insistir nas escandalosamente mentirosas 200 mil mortes de mulheres em decorrência de abortos clandestinos. Outro argumento forte, que tende a mover uma fatia dos setores mais conservadores, diz respeito à segurança pública: crianças abandonas pelos pais seriam potencialmente violentas e ameaçariam a sociedade. Na outra ponta, qualifica-se de “reacionários”, “conservadores” e “avessos ao progresso” aqueles que têm uma posição contrária, de modo a silenciá-los. Tudo dando certo, a janela se move.
Sacolinhas plásticas
Os temas variam dos mais graves, como o aborto e o Código Florestal, que dizem respeito, respectivamente, à vida humana e à segurança alimentar, aos mais bizarros — mas nem por isso menos lucrativos, como as sacolinhas plásticas nos supermercados. Ninguém convenceria de bom grado um consumidor a sair do mercado carregando compras em caixas de papelão ou em sacolas de lona. Os incômodos são muitos. Alevantou-se, como diria o poeta, um valor mais alto — e hoje base de várias teses autoritárias influentes: a conservação da natureza.
Os temas variam dos mais graves, como o aborto e o Código Florestal, que dizem respeito, respectivamente, à vida humana e à segurança alimentar, aos mais bizarros — mas nem por isso menos lucrativos, como as sacolinhas plásticas nos supermercados. Ninguém convenceria de bom grado um consumidor a sair do mercado carregando compras em caixas de papelão ou em sacolas de lona. Os incômodos são muitos. Alevantou-se, como diria o poeta, um valor mais alto — e hoje base de várias teses autoritárias influentes: a conservação da natureza.
Huuummm… Em nome dela, nada mais de sacolinhas feitas de derivado de petróleo! Certo! Considerando que os brasileiros não comem plástico, aquele troço servia, leitor amigo, na sua casa e na minha, de saquinho de lixo, certo? Sem um, aumenta o consumo do outro, e o resultado tende ao empate. Os supermercados podem ganhar uns trocos não fornecendo os saquinhos, a indústria de plástico pode compensar a baixa do consumo de um produto com a elevação do consumo de outro, e só o consumidor se dana. Mas esperem! Há a sacolinha reciclável, feita, parece, com algum derivado do milho… Descobriu-se de pois que havia um único fornecedor para o produto… É mesmo?
Cuidado!É preciso tomar cuidado para não cair na paranóia de que o mundo é uma grande conspiração; de que forças secretas se movem nas sombras e que estamos sempre sendo administrados por alguém. Não deixem que a “Janela de Overton” abra a “Janela da Conspiração” na sua cabeça. Somos sempre influenciados pelo debate público, pelas opiniões alheias, pela propaganda, pelo trabalho, sim!, dos assessores de imprensa, assessores de imagem, administradores de crise, essas coisas… Isso é normal é do mundo livre. Chata era a vida nos países comunas, onde só se podia ser influenciado pelo… partido!
Como, então, distinguir o “meu pensamento” dessa algaravia de outros pensamentos e lobbies organizados? Bem, não tenho a receita. O que costumo recomendar é o seguinte: verifique sempre se as pessoas estão debatendo o mérito da questão ou algum tema associado, que pode até guardar algum parentesco com o assunto principal, mas que é um óbvio desvio.
Se você se pegar falando sobre o desvio, o tema paralelo, não duvide: você caiu na rede profissional dos operadores de opinião pública. Não faz tempo, o caos nos aeroportos brasileiros e o péssimo serviço oferecido por algumas companhias aéreas acabaram surgindo no noticiário como evidências do sucesso do governo petista na política de distribuição de renda, que teria levado os pobres para o avião. A questão essencial ficou de lado: por que aeroportos e companhias aéreas não se organizaram para isso? A janeja da opinião pública, é evidente, estava numa posição crítica, contrária ao governo e à bagaunça das companhias. Mas se deslocou um pouco para recepcionar a tese do “bom caos”, gerado por motivos edificantes.
Encerro
No curto prazo, governos investem somas fabulosas em propaganda, divulgando seus feitos. Aquele outro trabalho, de mudança de valores, é mais sutil. As oposições brasileiras não têm sabido enfrentar nem uma coisa nem outra.
No curto prazo, governos investem somas fabulosas em propaganda, divulgando seus feitos. Aquele outro trabalho, de mudança de valores, é mais sutil. As oposições brasileiras não têm sabido enfrentar nem uma coisa nem outra.
Marcadores:
Opinião,
Reinaldo Azevedo
Segunda-feira
A NOVA POTÊNCIA MUNDIAL
Crianças anglo-saxônicas brincando no Rio Tâmisa, em Londres - ainda bem que essas coisas só se vêem por lá...
Para que não digam que só escrevo o que escrevo porque sou um invejoso, ressentido e recalcado por causa desse imenso sucesso de público e crítica que é o lulopetismo, aí vai uma boa notícia.
Está em todos os jornais. O Brasil é agora a sexta maior economia do mundo. Deixamos para trás o Reino Unido.
Que beleza, não? Que maravilha! Esperem aí, vou abrir uma garrafa de champanhe.
Vou mesmo me juntar ao coro dos pachecos e pachecas do oficialismo cleptopetista e gritar, a plenos pulmões, cheio de furor ufanista, slogans de outra época: Pra frente Brasil! Ninguém segura este país! Brasil-sil-sil!
Pois é, né? Estou até com pena dos ingleses, coitados... Os súditos da rainha devem estar se roendo de inveja diante do avanço do Impávido Colosso. Também pudera: como sabe qualquer pessoa minimamente alfabetizada e com algum acesso à informação mais básica, os filhos da pérfida Albion estão numa pindaíba de dar dó até no mais miserável retirante nordestino. Ao contrário de nós, claro.
Só para vocês terem uma idéia, aí vão alguns números para nos encher ainda mais de orgulho patriótico:
- 53% das habitações sem saneamento básico - isso mesmo: mais da metade das casas sem esgoto;
- uma educação falida e incapaz de providenciar o ensino das noções mais básicas de português e de matemática, que se expressa nos últimos lugares nos exames internacionais dequalidade da educação, com mais de 14 milhões de analfabetos (noves fora os analfabetos funcionais, muito mais numerosos);
- um sistema de saúde pública infame e pavoroso, com hospitais que mais se assemelham a açougues;
- cerca de 50 mil assassinatos por ano devido ao crime organizado - num país que, oficialmente, não está em guerra;
- milhares de zumbis viciados em crack zanzando nos centros das grandes cidades e até no interior;
- estradas intransitáveis e aeroportos defasados há décadas, incapazes de atender à demanda;
- tragédias sazonais e plenamente evitáveis na estação de chuvas todo verão - devido àomissão criminosa das "autoridades" etc.
Sem falar, claro, num flagelo que, felizmente, é desconhecido por estas plagas: a corrupçãogeneralizada, a um ritmo de um ministro demitido a cada dois meses (apenas no primeiro ano do governo). Roubalheira? Mensalão? Impunidade? Ouvi dizer que tem dessas coisas lá pelas bandas da Inglaterra. (Aliás, por lá parece que também eles ainda sofrem com epidemias dedengue, vejam só que atrasados...)
Tudo isso, claro, existe na outrora gloriosa Grã-Bretanha, não no Brasil varonil. Todos estamos carecas de saber que, desde primeiro de janeiro de 2003, quando D. Sebastião voltou para nos redimir, nossa Pátria Amada Idolatrada Salve Salve virou o Paraíso terrestre, motivo de inveja e admiração de todos os povos do planeta.
Para reforçar isso ainda mais, vejam só o que os pobres britânicos têm para mostrar ao mundo, em comparação com o que temos a oferecer:
- Eles têm alguns escribas medíocres, como um tal de Shakespeare, ou um John Milton, umEdmund Burke, um J.S. Mill, um Charles Dickens... Figuras absolutamente obscuras e sem nenhuma influência na Literatura e na Filosofia mundiais. Nós temos gigantes do pensamento universal como Paulo Coelho e Gabriel Chalita.
- Eles deram ao mundo alguns poucos e insignificantes cientistas, como Isaac Newton eCharles Darwin; nós somos uma potência científica, como demonstram nossos dezenas de prêmios Nobel. Tanto somos que já temos mais ex-BBBs do que arqueólogos... é a nossa contribuição ao progresso mental da humanidade.
- Eles tiveram um papel ínfimo na História universal; já o Brasil foi berço da Revolução Industrial e exportador de tecnologia. Sem falar na nossa atuação decisiva na derrota do nazi-fascismo na Europa durante a II Guerra e, depois, do comunismo.
- Eles ainda pautam sua política externa pela chamada aliança atlântica com os EUA; nós estamos muito mais avançados, e nos guiamos pela aliança com baluartes da democracia e dosdireitos humanos como Cuba, Venezuela e Irã.
Nem falo aqui das artes e da cultura, como o cinema, onde, como todos sabem, damos um banho nos gringos. Estamos na vanguarda nesse quesito, ao contrário dos ingleses. Aliás, quem foi mesmo esse tal de Hitchcock?
Parece que a coisa está tão feia por lá que o governo de Sua Majestade estaria cogitando importar o modelo do Bolsa-Cabresto, tão bem-sucedido no Brasil. (Os políticos de lá não sabem o que estão perdendo.) Também estaria pensando em construir um trem-bala unindo o rio Capibaribe a seu tributário, o Tâmisa.
Via: Blog "do Contra"
O leninismo caboclo se rende ao imperialismo!
Marcadores:
Comunismo,
Reinaldo Azevedo
Quarta-feira
O que é permitido falar?
Com esse negócio de "politicamente correto", cada vez pode-se falar menos. A situação está russa. Epa! Será que, ao dizer isso, estarei cometendo uma injúria ao povo russo? (Se bem que parece que o termo correto é "ruça", que seria algo como "enevoada, grisalha, desbotada".)
Na língua inglesa, há uma expressão corrente: "chink in the armor", que poderia ser traduzida como "fissura na armadura". No outro dia, a ESPN utilizou a expressão em relação ao time de basquete do asiático-americano Jeremy Lin, de origem chinesa. Bem, o que ocorre é que "chink" também é uma expressão pejorativa para chineses! Portanto, houve grande tumulto, e a ESPN teve que se retratar. O responsável pela manchete foi demitido, e nem ser casado com asiática o salvou. Em virtude do caso, a Associação dos Jornalistas Asiático-Americanos publicou uma lista de palavras e expressões ofensivas aos asiáticos que deveriam ser evitadas. Além de "chink", não dá mais para dizer "Me love you Lin time"! Nem mencionar os "biscoitos da sorte" chineses em relação ao jogador!
Alguns anos atrás, nos mesmos EUA, um político causou furor ao utilizar a expressão "niggardly", que nada tem a ver com os negros (significa "pão-duro" mesmo), mas foi punido por mera homofonia!
Mas não é só nos EUA que estão todos ficando loucos, afinal por aqui isso era de se esperar. Na Inglaterra, um inglês foi preso por uma hora no aeroporto acusado de "racismo", simplesmente por ter perguntado ao funcionário se poderia passar sem ser revistado igual à moça de burka que passara à sua frente...
O que será que é permitido falar, hoje em dia?
No Brasil, dois casos chamam a atenção. O primeiro é a ridícula tentativa de retirar o dicionário Houaiss das prateleiras por "racismo", pelo fato da expressão "cigano" ter, segundo o dicionário, um significado pejorativo de "velhaco, trapaceiro". E agora? Vão cair fora também as palavras "judiar", "ladino", "denegrir"? Por outro lado, podem até existir ciganos trapaceiros, mas confesso que jamais vi ninguém chamar um não-cigano de "cigano" em tom ofensivo. A única expressão que conheço de "cigano" aplicável a não-ciganos é no sentido de alguém meio nômade, que viaja muito sem ocupação certa. Mas não me parece ter sentido pejorativo.
O outro caso é o que envolve o jornalista Paulo Henrique Amorim, acusado de racismo por ter se referido a um jornalista rival como "negro de alma branca". É hilariante ver a briga que está ocorrendo por causa disso! Bem, embora não goste do seu "jornalismo marrom" (epa! racismo contra os mulatos?), vou defender o PHA aqui. O que há de tão pejorativo em "negro de alma branca"? Se fosse um "negro de alma negra" seria melhor? Vinicius de Moraes definiu-se mais de uma vez como um "branco de alma negra", mas não lembro que tenha sido acusado de racismo. Eram outros tempos, é claro. Hoje provavelmente sentariam o pau no poetinha!
O que é um "negro de alma branca"? Ora, a expressão é claramente metafórica, já que alma não tem cor. Significa alguém da raça negra que se comporta como brancos, ou que quer imitar o comportamento dos brancos. Pode ser elogiosa ou negativa, de acordo com a ênfase dada, embora é certo que, mesmo quando elogiosa, parece sugerir que o "branco" seria algo positivo e o "negro" algo negativo, e é isso o que parece incomodar na expressão. É um pouco como os negros americanos conservadores ou que convivem com brancos, que vez por outra são chamados de "Uncle Tom". Sempre me pareceu uma acusação algo ridícula. O próprio Bill Cosby fala isso: os negros que estudam são acusados por alguns outros negros de estarem "atuando como brancos"; mas, segue Cosby, se "atuar como branco" é estudar, o que isso está dizendo sobre "atuar como negro"? Quem será que é mais racista, no fim das cotas? Ops, contas... Lapso verbal, perdão!
O Sakamoto não escreveu sobre o assunto, mas um outro esquerdista popular nas paradas, o Idelber, tem um longuíssimo post sobre o tema. Tão longo que não consegui ler todo. Ele garante que PHA foi racista sim, e que no fim das contas "todos somos racistas", mesmo quando somos bem intencionados e queremos elogiar. Aí ele fala uma coisa assim:
O negrito (termo racista?) é meu. Fox News "extrema direita"? Idelber está mal informado. Bem, quanto ao segundo ponto, sempre achei estranha essa reclamação. Thomas Sowell é ótimo, prefiro ele a muitos brancos idiotas. Por que os negros conservadores estariam "agindo contra os interesses dos negros"? Pareceria o contrário, que estão agindo a favor, tentando melhorar a sua imagem, quase sempre relacionada a pessoas encostadas no welfare ou vivendo no crime. Se o sujeito negro diz para os negros estudarem, trabalharem e cuidarem da família, ele vira "racista" ou "contrário aos interesses dos negros"? Mas quais seriam os interesses dos negros então? Será que a melhor saída para os negros não seria mesmo a de imitarem os brancos, na medida do possível (dos brancos bem comportados, não do "white trash")? Ou, vá lá, os asiáticos, ainda que eu nunca tenha escutado a frase "negro de alma amarela", que seria provavelmente ofensiva tanto a uns quanto a outros.
Bem, dito isso, existe o outro extremo, de pessoas que realmente vão além do tolerável. No outro dia uma compositora asiática-americana se ofendeu por que um outro artista negro comentou no Twitter que "a única razão pela qual Jeremy Lin é famoso é por ser chinês, pois há muitos negros que jogam melhor." O que de certa forma é verdade, o único motivo para todos falarem sobre o sujeito, ou seja, sua única novidade, é o fato de que ele é chinês em um esporte no qual eles são raros! Mas aí, ofendida com o comentário, a coreana (nem de origem chinesa ela é) saiu dando twittadas absurdas, começando com chamar o outro de macaco e terminando por pregar um holocausto racial! Terminou internada em um hospital por transtorno bipolar, ou ao menos foi o que afirmaram seus produtores. No Brasil, com as leis atuais, provavelmente pegaria prisão perpétua...
Pessoalmente, acho esse tipo de linguagem extrema de mau gosto, e é o motivo pelo qual comecei a moderar o blog e até pensei (penso?) em acabar com ele. Mesmo sendo contra o politicamente correto e contrário a qualquer lei "anti-racismo", acho que existe uma coisa chamada bom senso e civilidade, bem como limites da própria ética. Por exemplo, nos EUA, recentemente, um site da "direita alternativa" americana pregou o extermínio dos negros, em um artigo vil e nojento. Um outro site conhecido costuma publicar textos que pregam o extermínio de judeus. São coisas nojentas e absurdas! Merecem o repúdio de toda pessoa de bem.
Por outro lado, mais de uma vez esquerdistas brancos falam mal da raça branca como um todo, e não lembro que tenham sido punidos. O que parece é que, de acordo com as leis politicamente corretas, quem é membro de uma certa raça pode fazer comentários negativos sobre esta. Por exemplo, Chris Brown e David Chapelle fazem piada com os estereótipos sobre negros: ele podem, por serem negros. Bill Cosby mais de uma vez criticou de forma inteligente o comportamento dos negros americanos, é verdade que levou chumbo por causa disso, mas se um branco falasse o que ele falou seria linchado. Uma estudante americana, Alexandra Wallace, criticou ligeiramente seus colegas asiáticos em um vídeo e sofreu tanta perseguição que terminou tendo que abandonar (voluntariamente, devido à pressão) os estudos. Mas são bem comuns os vídeos de asiáticos ironizando-se a si mesmos. Aí pode!
Bem, mas talvez essa seja uma reação natural: da mesma forma nós brasileiros vivemos reclamando do Brasil e dos brasileiros, mas aí se algum estrangeiro vem e faz alguma crítica, ainda que merecida, em geral reagimos com ódio e inusitado patriotismo: "Como esse argentino/português/grego se permite nos insultar?"
No mais, acho que o resumo de tudo é o seguinte, há uma diferença enorme entre você pregar o genocídio racial ou usar expressões vulgares e insultuosas, e utilizar um expressão coloquial de duplo sentido mais amena como "chink in the armor", "cigano", ou mesmo "negro de alma branca", que pode até ser ofensiva para alguns, mas convenhamos, existem coisas bem piores. No Sul do Brasil, o doce "brigadeiro" ainda é chamado por muitos de "negrinho", a patrulha ideológica ainda não proibiu. Porém, um conhecido gaúcho uma vez foi para a Bahia e quando estava em um bar falou em voz alta: "Mas bá, que vontade de comer um negrinho!" O pobre infeliz quase foi linchado, acusado de pedofilia gay interracial!
Bem, fora esses lamentáveis incidentes, temo que a utopia de tornar o mundo um lugar "sem racismo" está tendo o efeito contrário, criando um mundo cheio de racismo. Quanto mais policiamento, mais ressentimento. Não tenho dúvidas que, em algumas décadas, serão todos racistas contra todos! E não apenas em palavras, mas provavelmente em atos. Será o lamentável fim do paraíso multicultural!
Via: Blog do Mr X
Marcadores:
Politicamente Correto
Segunda-feira
Religião política: o que isso realmente significa?
Por Luciano Ayan
Neste blog, o que mais tenho executado é o ceticismo em direção à religião política, a qual também é alvo de minhas principais críticas.
Entretanto, reconheço que já vi leitores questionando: “que diabos esse Luciano quer dizer por religião política?”. Em meu texto “A Esquerda como um Todo” eu coloquei todas as características da esquerda, e também a chamei de religião política. Mas faltou uma definição estrita do termo religião política em si, já que estabelecer um rótulo não é uma definição. Eu defini o pensamento de esquerda, mas não por que ele DEFINE-SE como a religião política.
No texto “Princípios e Fundamentos para o Ceticismo Político”, eu digo várias diferenças entre a religião tradicional e a religião política. Mas neste também fiquei devendo a definição.
Eis então que fiz um “mea culpa” e resolvi desafiar a mim próprio na busca por uma definição para religião política que seja condizente com os fatos, e, se isso não for possível, eu tenho que ser intelectualmente honesto e abandonar esse termo.
Uma premissa inicial que tomo, inspirado tanto pela abordagem de John Gray nos livros “Cachorros de Palha” e “Missa Negra” como pela experiência adquirida no debate com os religiosos políticos, é a de que a religião política é uma ADAPTAÇÃO do cristianismo, o qual é uma religião tradicional.
Por isso temos que analisar a religião tradicional, para entender se, nesta adaptação, o termo religião política é adequado para definir a esquerda.
Religião tradicional refere-se a um sistema que engloba cosmovisão, valores morais, crença em divindades e busca do sentido da vida. Algumas religiões tradicionais englobam narrativas, simbologias e tradições, além de ritualística. Mas é possível ter uma religião sem rituais, obviamente.
Segundo John Gray (e concordo com ele), provavelmente inspirados pelo sucesso do cristianismo, positivistas, humanistas e demais perfis revolucionários fizeram um “upgrade”, trocando a crença em Deus pela crença no homem, criando uma cosmovisão e estabelecendo novos valores. E, é claro, deram um sentido às suas vidas (na opinião deles, deram um sentido a vida de todos os homens).
O cristianismo milenarista, que defendia a vinda de Jesus em carne para a salvação terrena (não espiritual), é como um “elo perdido” entre a religião tradicional e a religião política.
Cristãos podem até se ofender com essa comparação, mas atenção: ela não nos diz nada em relação à validade ou não da crença em si. Portanto, quando estou buscando o “elo perdido” entre o cristianismo milenarista e a religião política, faço-o de forma antropológica, sem atribuir validade filosófica ou não ao sistema de crenças cristão.
Seja lá como for, temos várias semelhanças, como por exemplo a crença em um apocalipse, que é transformada por esquerdistas em coisas como “colapso do sistema capitalista”. A crença em uma salvação é transformada também em um tipo diferente de “salvação”, no caso aquela criação de um “novo mundo”, sem sofrimentos, sem injustiças e/ou sustentado pela “razão e ciência”.
Como era de se esperar, há um conjunto de valores que permite um senso de identidade no grupo, em ambos os casos.
Quando avaliamos a crença em Deus, ela pode ou não existir para os membros da religião política, dependendo de cada perfil de crença. Em alguns casos, a religião política é HOSTIL à crença em Deus, provavelmente pelo fato de que esta crença irá competir com uma de suas crenças centrais, a crença no homem: “Crença na idéia de que o homem, poderá por sua ação, através da razão, empatia e/ou ciência (ou qualquer outro atributo usado para simular âncoras positivas) eliminar as contingências humanas, como luta por auto-preservação, territorialismo, gregarismo e busca pelo poder, para então criar um cenário na Terra em que um grupo específico de homens (estes “iluminados”) protegeriam a humanidade como um todo, com justiça para todos e amplificação da felicidade global.”
Justiça seja feita, existem variações da crença no homem, algumas em que tentam racionalizá-la um pouco mais, e outras em que a confiança é absoluta, e isso se reflete em coisas como crença em um estado forte (comandado, naturalmente, por homens) ou em um governo centralizado global.
Já deixei claro que as semelhanças realmente são muitas, com a diferença de que não há crença em Deus, e que não veremos religiosos políticos rezando por aí, assim como realizando novenas e procissões. Entretanto, eles adoram uma passeata para promover suas crenças.
Outra semelhança que une os dois tipos de religião é a presença de componentes de fé. Exemplos são a crença na ressurreição de Cristo e o nascimento virginal, no cristianismo, enquanto existe a crença de que o homem irá construir um paraíso em Terra por sua ação, eliminando as contingências naturais humanas (exemplo: o hardware biológico que o ser humano possui de nascença), para o “bem comum”, dentre outras.
Existem também algumas diferenças entre a religião tradicional e a religião política, mas estas, assim como a crença em Deus convertida em crença no homem, podem ser explicadas como “adaptação” da religião cristã.
Por exemplo, a religião cristã, assim como as outras, permite o uso de metáforas, mas a religão política é sempre literal. Os cristãos podem interpretar que o mundo tem 6,000 anos, como também interpretar que possui 14 bilhões. Já as interpretações da religião política são preto no branco.
O que temos aqui é uma quantidade incrível de semelhanças, e as poucas diferenças SÓ PODEM ser creditadas à “adaptação”, ou seja, o salto do cristianismo milenarista para positivismo/humanismo, que são mais que os protótipos de toda religião política atual, como também componente central de variações como social democracia, marxismo, nazismo, fascismo e outras.
Observem que neste texto, não estou me importando em atribuir juízo de valor. Eu poderia fazê-lo, mas com certeza eu me empolgaria e perderia o objetivo central que tenho aqui, o de definir a religião política, e, se não conseguir, abandonar o termo.
Como experimento, peguemos as definições do dicionário Michaelis para religião, no caso, a religião tradicional:
Serviço ou culto a Deus, ou a uma divindade qualquer, expresso por meio de ritos, preces e observância do que se considera mandamento divino.
Sentimento consciente de dependência ou submissão que liga a criatura humana ao Criador.
Culto externo ou interno prestado à divindade.
Crença ou doutrina religiosa; sistema dogmático e moral.
Veneração às coisas sagradas; crença, devoção, fé, piedade.
Prática dos preceitos divinos ou revelados.
Temor de Deus.
Tudo que é considerado obrigação moral ou dever sagrado e indeclinável.
Ordem ou congregação religiosa.
Ordem de cavalaria.
Caráter sagrado ou virtude especial que se atribui a alguém ou a alguma coisa e pelo qual se lhe presta reverência.
Conjunto de ritos e cerimônias, sacrificais ou não, ordenados para a manifestação do culto à divindade; cerimonial litúrgico.
Vamos agora a algumas definições de religião política, baseado em tudo que foi apresentado aqui:
Serviço ou culto ao homem, de forma que existe a crença em que o ser humano irá eliminar sua contingência para a criação de um paraíso em Terra.
Sentimento consciente de dependência ou submissão que liga a criatura humana a esses homens.
Culto externo ou interno prestado a esses homens.
Crença ou doutrina utópica, incluindo sistema moral e cosmovisão relacionada.
Veneração aos líderes ideológicos relacionados e a seus ideais, com devoção e fé.
Prática dos princípios defendidos pelos líderes ideológicos.
Tudo que é considerado obrigação moral ou dever obrigatório de todo militante.
Ordem ou instituição fundada para defender os princípios ideológicos defendidos.
Identidade de grupo para definir o caráter ou virtude especial atribuídos ao membro do grupo.
Mas ainda reconheço que várias definições assim podem mais gerar confusão do que auxiliar-nos, de forma que, para fins práticos, tenho que encontrar UMA definição, que será usada daqui por diante no blog.
Vamos a uma tentativa final: Sistema de crenças com ênfase na crença em que o ser humano irá eliminar suas contingências humanas para a criação de um mundo melhor e/ou igualitário e/ou justo. Este sistema de crenças inclui senso de identidade de grupo, moral particular ao grupo, militância política, organização sob forma de instituições (incluem-se ONGs e fundações), fé nesses ideais, definição de bodes expiatórios e prática dos princípios do grupo.
Existem vários outros pontos que poderia incluir, mas no máximo isso deixaria as coisas mais complicadas.
Algumas perguntas ainda poderiam ser feitas, e de bate-pronto trago algumas respostas:
Onde fica a definição dos beneficiários e funcionais? Essa questão fica em um domínio além da definição do que é religião política. Na verdade, é uma consequência da religião política em si. Explicando melhor: se alguém confia em Deus, obviamente se este Deus existir ele não vai enganar essa pessoa. É claro que um pastor desonesto pode enrolar o fiel, mas isso é uma opção, não uma consequência direta da religião. Já na religião política, pelo fato da crença no homem, os mais espertos vão pedir o “poder” para transformar as coisas e criar o “mundo melhor”, através de estados inchados e/ou totalitários, por exemplo. Portanto, a religião política é um ambiente PERFEITO para a existência dos beneficiários e funcionais.
Como fica a questão das estratégias e rotinas da religião política? Essa questão também fica em um domínio além da definição do que é religião política. Considerando a aplicação prática no dia-a-dia da religião política, estratégias precisaram ser criadas ao longo do tempo para manter a dependência dos funcionais aos beneficiários, mas algumas destas estratégias também podem ser utilizadas fora da religião política. Enfim, as estratégias e rotinas são consequências naturais da PRÁTICA da religião política, para atender os beneficiários.
Essa definição realmente abarca todos os perfis da esquerda? Sim. Faça o experimento. Teste o comportamento de um funcional nazista, marxista, neo ateísta, humanista e vai dar tudo no mesmo. Todo esse comportamento se traduz na definição apresentada aqui.
Todos os religiosos políticos possuem a “crença no homem” de acordo com sua definição?Praticamente todos, a não ser aqueles que tentaram racionalizar a crença para torná-la mais aceitável e menos ridicularizável, e mesmo nesses casos eles não falam em “utopia” mas em “mundo muito melhor”. No restante dos atributos, a definição aplica-se à risca.
Muitos humanistas e neo ateus se declaram céticos. Eles não se incomodariam com o termo religião política? Não há motivos para incômodo, pois a religião política não implica em crença em Deus e no sobrenatural, mas sim em crença no homem. E isso todos eles possuem. Um exemplo é quando Dawkins disse que o gregarismo seria eliminado SE as religiões fossem eliminadas. Observe que ele é um sujeito crente em uma cosmovisão incluindo crenças para “correção do mundo”. Mas de onde ele tirou a idéia de redução do gregarismo pela redução da religião senão por um salto de fé? É como se algum guru dissesse: “tirai, tirai a religião do mundo, e confie em mim que o ser humano não mais se dividirá, e os motivos para guerras… cessarão”. Este é o tipo de credulidade que caracteriza a religião política. Outro ponto: neo ateus e humanistas são céticos em relação a Deus e o sobrenatural, mas extremamente crédulos na religião política. São crentes políticos.
Há um objetivo final para a esquerda (religião política) definido como “Obtenção do poder totalitário”. Como isso se encaixa na definição? Não se encaixa. Na verdade, esse é o objetivo dos BENEFICIÁRIOS da religião política.
A definição de religião política engloba toda a esquerda. Mas não engloba a direita também? Pois pessoas de direita também querem um mundo melhor. Não engloba, pois os direitistas não acreditam em um mundo muito diferente daquele que temos hoje. O máximo que os adeptos da direita querem é ir fazendo o que for possível, e ainda olham para o passado, tentando aprender com o que ocorreu. O ato de não confiar em um estado inchado, por exemplo, é por uma questão de ceticismo em relação aos que tomam conta deste estado. Um estado inchado significa dar muito poder ao homem. O conservador acredita que é melhor ter poderes paralelos, no caso o poder do estado, que não teria como suplantar o poder do mercado. Isso ocorre por falta de crença em relação ao homem, em oposição à crença no homem dos religiosos políticos.
É possível alguém viver sem religião tradicional ou religião política? Eu acho muito raro, talvez (não tenho certeza) por que o cérebro humano seja programado para ter crenças na autoridade. Raros são pontos fora da curva, como eu, que não tenho crença nem na religião tradicional como na religião política. Por isso, é esperado que alguém ao abandonar a religião tradicional seja vítima da religião política. Entende-se também por que a luta contra a religião tradicional é uma das estratégias centrais da religião política.
Enfim, acredito que com as respostas a essas hipotéticas perguntas (e sintam-se livres para fazerem outras), mostrei que a definição trazida por mim de religião política consegue compreender todo um padrão de comportamentos.
E, pelo componente de fé identificado, reitero que a forma ideal de tratarmos a religião política é com o ceticismo.
Da mesma forma que há 300 anos isso é feito para a religião tradicional.
Marcadores:
Política
Assinar:
Postagens (Atom)






